Gosto
de desafio. Gosto de me infiltrar na vida de um cara que diz não saber
amar, não querer se prender. Quando ele percebe, já sou parte dele. A
pior parte é deixar de ser, demorei a aprender. Mas desafio é desafio.
Sou puxada, como um imã, pra essa gente mal resolvida emocionalmente,
essa gente que recua, pula pela janela. Quem sabe é algum tipo de
missão, essa coisa de cuidar, curar, ensinar e ver um pedaço de você
voando, desapegado, pela janela. Talvez seja só uma acomodação
masoquista de quem é bem mais familiarizada com a dor e esse lado
complexo e conturbado das pessoas e relações. Pode ser só medo de
alguém, desses organizados demais por dentro, chegar me mostrando que
felicidade é uma coisa completamente diferente de tudo que eu sempre
acreditei e me apeguei a vida toda. E eu ter que me virar do avesso,
pela milésima vez, e rasgar por desgaste. Meu pavor da linha tênue entre
ser corajosa e ser covarde ser rompida por um carinha certinho.
Acontece que minha bagunça é tudo que eu tenho pra oferecer, mas ela
precisa ser acolhida e não arrumada. Se tirar uma peça do lugar, eu não
me encontro mais e aí sobra quem aqui? Uma boneca de argila do cara que
não se assusta com a vida? Que Deus me livre e me guarde. Tô dispensando
essa felicidade embrulhada pra presente, com um laço vermelho. Não sei
lidar e prefiro distância dos politicamente corretos, emocionalmente
maduros, sabichões de plantão. Nasci assim, dona da verdade e não admito
alguém me questionando ou discordando de mim todo o tempo. Que Deus me
defenda de lição de moral no café da manhã. Me disponho aos que não
sabem o que fazer, mas fazem assim mesmo, de olhos vendados. Essa
felicidade em conta-gotas, que vicia e sacia em doses homeopáticas. Tem
coisa mais linda? Me proponho a ficar hoje, amanhã e até quando der, sem
grade na janela. Aceito as desculpas por ele não saber isso, não
conseguir aquilo. Reconheço e não resisto aos esforços do cara mais
desajeitado do mundo, tentando, do jeito mais torto possível, ser tudo
que ele leu numa revista sobre o que as mulheres esperam. Porque,
sinceramente? Ainda que tudo acabe, eles vão embora com um pouquinho de
mim e tudo que eu sou e acredito. A gente aprende um com o outro e se
encontra um dia, por aí. O cara que sabe de tudo, se acha superior e tão
mais evoluído a ponto de não precisar aprender, só acha que ensina e
parte com pena de quem ficou, coitada de quem perdeu tão bom partido.
Que preguiça.
Gosto
de desafio. Gosto de me infiltrar na vida de um cara que diz não saber
amar, não querer se prender. Quando ele percebe, já sou parte dele. A
pior parte é deixar de ser, demorei a aprender. Mas desafio é desafio.
Sou puxada, como um imã, pra essa gente mal resolvida emocionalmente,
essa gente que recua, pula pela janela. Quem sabe é algum tipo de
missão, essa coisa de cuidar, curar, ensinar e ver um pedaço de você
voando, desapegado, pela janela. Talvez seja só uma acomodação
masoquista de quem é bem mais familiarizada com a dor e esse lado
complexo e conturbado das pessoas e relações. Pode ser só medo de
alguém, desses organizados demais por dentro, chegar me mostrando que
felicidade é uma coisa completamente diferente de tudo que eu sempre
acreditei e me apeguei a vida toda. E eu ter que me virar do avesso,
pela milésima vez, e rasgar por desgaste. Meu pavor da linha tênue entre
ser corajosa e ser covarde ser rompida por um carinha certinho.
Acontece que minha bagunça é tudo que eu tenho pra oferecer, mas ela
precisa ser acolhida e não arrumada. Se tirar uma peça do lugar, eu não
me encontro mais e aí sobra quem aqui? Uma boneca de argila do cara que
não se assusta com a vida? Que Deus me livre e me guarde. Tô dispensando
essa felicidade embrulhada pra presente, com um laço vermelho. Não sei
lidar e prefiro distância dos politicamente corretos, emocionalmente
maduros, sabichões de plantão. Nasci assim, dona da verdade e não admito
alguém me questionando ou discordando de mim todo o tempo. Que Deus me
defenda de lição de moral no café da manhã. Me disponho aos que não
sabem o que fazer, mas fazem assim mesmo, de olhos vendados. Essa
felicidade em conta-gotas, que vicia e sacia em doses homeopáticas. Tem
coisa mais linda? Me proponho a ficar hoje, amanhã e até quando der, sem
grade na janela. Aceito as desculpas por ele não saber isso, não
conseguir aquilo. Reconheço e não resisto aos esforços do cara mais
desajeitado do mundo, tentando, do jeito mais torto possível, ser tudo
que ele leu numa revista sobre o que as mulheres esperam. Porque,
sinceramente? Ainda que tudo acabe, eles vão embora com um pouquinho de
mim e tudo que eu sou e acredito. A gente aprende um com o outro e se
encontra um dia, por aí. O cara que sabe de tudo, se acha superior e tão
mais evoluído a ponto de não precisar aprender, só acha que ensina e
parte com pena de quem ficou, coitada de quem perdeu tão bom partido.
Que preguiça.
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